domingo, 28 de fevereiro de 2010

Cura pela fala

E quando sentimos ainda a necessidade
de extrapolar o pensamento

e falar... falar... falar...
sobre o mesmo assunto até ele sumir...
até se extinguir...
e ninguém mais quer ouvir??
O que resta mesmo são as letras...
e escrever...
escrever...
escrever...

Vou te levar pra onde eu for...

Pensar em tudo que se passou,
Que se pôde sonhar e não realizou
A vida tentando escapar,
Mas não por agora

Ao mesmo tempo tanta coisa se amou,
Se refez, se perdeu, se conquistou,
Retratos estampados do nosso amor,
Em preto e branco, pregados na parede,

Revelando pra sempre a gente,
Nosso orgulho um do outro,
Olhando pra lente como quem dissesse
"não queremos mais nada nesse mundo"

E que me lembrasse a cada instante
Que valeu a pena cada lance,
E que valerá, tenha certeza, pra toda a vida

"Vou te levar" - Lobão -

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Assim que vai ser

"Afinal, haverá outro ser humano que caminhará em silêncio pelas montanhas a seu lado, uma pessoa que não ficará tagarelando o tempo todo sobre assuntos inconseqüentes. Alguém que sabe para onde olhar à procura de constelações, em uma noite estrelada..."

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

"Senti minha mente se partindo
Como se o cérebro em dois se dividisse
Sulco por sulco - tentei encaixar
Mas não ouve maneira de conseguir
Meus pensamentos tentei, em vão
Juntar uns aos outros
Mas sem sentidos se tornaram
Como bolas rolando no chão"

- Emyli Dickinson (1864) -

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida

Amar é triste
O que é que existe?
O amor

Ama, canta
Sofre tanta
Tanta saudade
Do seu carinho
Quanta saudade

Amar sozinho
Ai de quem ama
Vive dizendo
Adeus, adeus

- Vincius de Moraes -

domingo, 21 de fevereiro de 2010

"... que minha solidão me sirva de companhia,
que eu tenha a coragem de me enfrentar,
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo."

- Clarice Lispector -

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Inquietude

Quantas vezes mais vou repetir os tropeços,
sempre os mesmos tropeços,
me deixar levar por algo que não passa perto de ser verdadeiro.

Me deixar iludir, me enganar, sonhar
achando que tudo pode de repente revirar
e no fim segue seu rumo sem reviravolta alguma.

O ciclo eterno do erro e da auto-sabotagem sem fim.

Aquele sentimento de repulsa por si mesmo,
aquela ânsia da azia na alma,
o aperto no peito.

O peso do pensamento,
oscilações tempestuosas,
a estagnação do comportamento.

Desequilíbrio constante,
energia emanada em vão,
palavras ditas ao ar.

É tudo uma questão de postura,
mas como mudar essa postura
tão impregnada nessa essência desassossegada,
dessa inquietude toda?


Pensando... analisando...
o peso na vida é sempre bem vindo,
pois viver somente com a leveza
não teria graça alguma,
nenhuma emoção,
mas digo que sinto muito a vontade
da presença da constância,
da plenitude todo dia,
do peito inflado de alegria,
do afeto em demasia,
da convergência de energia.

Sem medos,
sem receios,
que seguem
com dores por desleixo,
conturbações,
noites mal dormidas,
reflexões tortuosas,
endurecimento da feição,
enrouquecimento da voz,
empedramento do coração.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

"Chegue mais perto de mim,
me olhe,
me toque,
me diga qualquer coisa ou não diga nada,
mas chegue mais perto.
Não seja idiota,
não deixe isso se perder,
virar poeira,
virar nada."

- Caio Fernando Abreu -

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Miseráveis de alma

Tem gente que fica na fissura de viver na sua cola, de ficar na sua sombra, querendo fazer e pensar tudo colado, sem personalidade alguma.

Quando você diz algo que vai fazer ou que pensa, geralmente, a pessoa discorda, diz que não é bacana e tal, mas logo mais tá ela lá fazendo justamente o que há pouquíssimo tempo "não tinha nada a ver você fazer". Isso me indigna, me deixa inconformada profundamente.

São pessoas que te sugam energia e nunca passam algo bom, você sente no olhar de quando seria uma situação para se fazer um olhar feliz e ela faz aquele olhar congelante.

Me sinto mal, me incomoda.
Penso: será que é proposital? Será que essa pessoa não reflete sobre sua própria atitude? Será que não enxerga o tamanho da sua mediocridade?

Outras vezes se essa pessoa vai fazer algo que na cabeça dela é super bom para ela, ela esconde, não conta, porque talvez ache que outras vão agir igual a ela, ficar na sombra...

E os problemas? Só ela tem, só... quando sente algo ruim quer sua atenção total, você tem que estar super disponível, mas quando é o contrário... problemas? Só ela que tem, os outros nunca! É bem o pensamento de umbigo mesmo!

Nesse movimento todo ela nem consegue perceber que não faz mais parte de nada que seja ligado à minhas inconformações diárias, meus pensamentos, meus perrengues.


Fico de cara e penso qual a melhor atitude tomar,
logo concluo que é ignorar,
ficar longe e não deixar se tomar pelo peso do olhar.

Ooooooh... gentinha sem personalidade... que vive na mediocridade... na miséria da alma.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas…
Detesto quem me rouba a solidão,
sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia.”

- Nietzsche -