quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Das coberturas de bolo


 As camadas do amor.

As relações como quão são.

Inteiras, profundas, complexas.

Tão doce como a cobertura do bolo, há partes que dão todo o sabor (ou dissabor).

Quer somente a parte boa?

A parte doce, úmida, firme, crocante... há tantas e tantas coberturas e camadas.

O bolo com seus diversos ingredientes que formam, a depender da temperatura do forno, a massa, fofa, macia, embatumada, por vezes com seu fundo tostado.

No bolo, sim, dá pra comer somente a cobertura, assim como faço numa vida toda, mesmo que a massa tenha saído do forno com sucesso.

E na nossa vida, nas nossas relações? 

Impossível, mesmo que alguns queiram por aí. 

Passam uma vida só comendo coberturas, não sentem nem o sabor, nem o dissabor de ter o bolo todo.

Eu digo convicta: eu quero o bolo todo da vida.

Todas as camadas de uma só vez. A base, a massa, quiçá um recheio e toda a cobertura.

Me nego, por mesmo que sofra, que doa, me nego a comer só a cobertura.

A realidade nua e crua é deliciosa e onerosa.

Ninguém sente alegrias e felicidades todos os dias.

Ninguém tem humor brilhoso e auto estima reluzente todos os dias.

E junto de alguém que você ama é certeiro. Nem todos os dias serão à plena felicidade. Até porque se reconhece a felicidade quando você conhece a tristeza, pode ser numa ordem inversa, mas é assim que funciona, assim como não existe o bem sem o mal.

E, não há um amor real, maciço e conciso sem que haja asperezas, só quando existe o amor, ele vive na alegria e na dor, só quem ama de verdade entende que ultrapassamos barreiras que acreditávamos que nunca ultrapassaríamos, mantemos a fidelidade ao sentimento, mesmo que a ausência esteja presente.

Com o amor, comemos o bolo até sem a cobertura, massudo, embatumado, porque sabemos que somente a cobertura é mera ilusão.

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Compilado de uma tristeza sem fim

"How I wish
How I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl
Year after year
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears
Wish you were here"

"a dor é minha só,
não é de mais ninguém
[...]
É meu troféu, é o que restou,
É o que me aquece sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor,
Eu tenho a minha dor.
A sala, o quarto, a casa está vazia,
A cozinha, o corredor"

"E é lindo ver vc sendo vc.
Acho que é disso que eu mais sinto falta. Um dia vc disse que entendia que eu gostava de vc do jeito que vc é. Sim, eu amo seu jeito.
E não sei mais o que escrever. Não consigo achar uma conclusão
Eu quero ser merecedor de vc, sabe?
Mas me vi não sendo.
E não sei se algum dia serei
Mas se tudo der errado, é com vc que eu quero conversar daqui 50 anos." {12.04.24}

Segue-se dessa maneira inconclusa nauseada dentro de um imenso buraco que a ausência dispõe nadando profundamente na tristeza enraizada numa dor infinita diária constante que toda a redundância que possa ser realizada não define essa quilhotina na presença.

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Da dignidade humana diária

 São mais dúvidas do que afirmações.

Chegarei ao meu fim e ainda haverá indagações

 à pergunta eterna

até que ponto vai a dignidade humana?

Pergunta que será eterna não somente ao meu viver e, sim, a uma extensa gama de pessoas comuns e grandes pensadores [...]

Há pessoas que se põe em um papel tão ínfimo e ainda tem a convicção de achar que estão bem, acima (?), acima do que e dos quens?

Somente a sensação lhes convem?

Porque a realidade elas não tem!

    Mesmo que achem, que divulguem, lá no íntimo, no papo secreto com elas mesmas... Ah... não tem!

E vivem descaradamente nesse ciclo eterno, tentam com um, com outro, nunca, nunca obtem sucesso, porque a auto enganação as fazem viver à margem, à margem rasa, como a nata do leite, não tem raiz, nem profundidade, somente flutua, seguindo na rasidão das relações e vive com nada te apetecendo, nada te conectando,

sem construções,

vive tropeçando,

escorregando feito sabonete,

escorregando dum lado, pro outro,

passa de mão em mão,

até mesmo passa uma vida toda se ensaboando nela mesma

até que se derreta todo

chega ao seu fim.

A pessoa grita, esguela, refuta situações teatrais e banais,

entra em "crises",

atrasa as vidas pelas quais passa fazendo só espuma.

Retoma à situações pelas quais se humilhou, vexamitórias, lhe ignoraram, lhe reduziram, 

iguais a que faz aos outros em sigilo, velado.

Porque é o que ela desdenha nos outros é em sigilo. O que passa com os outros é escancaralhado. 

Consequência e resultado.

Sem dignidade alguma ela vai lá e começa tudo de novo.

Um ciclo eterno

de uma mente

com lembranças ardilosas rancorosas.

E por falar em dignidade

Onde está a sua?

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

A S.A.U.D.A.D.E.


E, algumas vezes, não existe nem a despedida... 

domingo, 20 de outubro de 2024

Fingimento do fingimento

 - André Dahmer

 Há anos li essa tirinha e, vem tempo, vai tempo, ela cabe sempre.

Sempre cabe em várias situações com a nossa linda e ininterrupta hipocrisia humana.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Dia a dia... dia a dia... dia a dia... dia a dia...

 O certo mesmo é

Você acordando ao meu lado

Comigo segurando o seu braço

Sua mão

Nós no colchão seu peito na minha mão

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Nós sós

 Na madrugada

Dormindo de mãos dadas

Abro meus olhos

Em meio a um suspiro sonolento

Penso:

A paz de estarmos nós.

domingo, 31 de julho de 2022

O encontro


 O tamanho, a definição, o tanto, o quanto,

indefiníveis que somos,

da mesma maneira é meu amor por você, 

sem saber daonde, por quanto e o tanto

te amo sem início e sem fim.


O prazer em te ter na minha vida,

o prazer de te ter ao meu lado,

o prazer de ter prazer com você.

O prazer que todo mundo vê, 

quando falo de você.

No olhar

na fala

na voz

na feição

na expressão

no brilho do corpo inteiro.

É você, só você.


A dimensão indimensionável

o conforto

o toque

o cheiro

a pele

o gozo.


O encontro

Juntos somos o que nunca tive de maneira que se torna único.

O amor despretensioso e que ao mesmo tempo majestoso em sua maneira de ser.

E só ser.

Inimaginável diante de um momento desesperançoso.

O amor que desperta, fez e faz despertar infindáveis conexões.

O amor puro. O puro amor.


As conversas, as reflexões,

 as fofocas, os filmes, 

a tela, a sala, a cama, as comidas, 

os passeios sem rumo, quilômetros sem música, 

as profundezas, o silêncio, 

as risadas, as esquisitices...

corpos em nó

enlance das mãos.
 
Do punho